FILME - Mandy / Mandy: Sede de Vingança (2018)


O diretor Panos Cosmatos consegue nos entregar em Mandy (2018) uma simples e eficiente história de amor e vingança, imersa em uma atmosfera fantasiosamente demoníaca. Isso se deve em grande parte a sua maneira peculiar de retratar as cenas como verdadeira pinturas em paletas de cores saturadas, que prendem os olhos do espectador na tela. Praticamente divido em duas partes, a história nos leva ao início dos anos 80, onde conhecemos o lenhador Red Miller, que depois de uma temporada de trabalho retorna para sua reclusa casa na floresta onde vive com sua esposa Mandy. 


O casal apaixonado leva uma vida muito tranquila em meio a natureza. Mandy se divide entre as sua pinturas e leituras, além de ser responsável por uma pequena loja. A primeira parte do filme estabelece bem a harmonia do casal, explorando as várias camadas de seus personagens. É uma característica do diretor, enfatizar e expandir o subconsciente, criando várias passagens oníricas em cenas extensas, que ainda contam propositalmente com uma trilha sonora um pouco angustiante. Isso talvez afaste alguns expectadores. Acontece que tudo isso é importante para construir a história. A pacata vida do casal sofre um rompimento quando um grupo de fervorosos hippies religiosos, comandados por Jeremiah, cruzam Mandy pelo caminho na floresta. O narcisista Jeremiah, que mais parece um roqueiro velho e falido de quinta categoria, fica obcecado depois de ver Mandy e então resolve que ela deve ser sequestrada para ser sua. Simples assim, seus seguidores vão atrás dela, com a ajuda de um sanguinário grupo de motociclistas, que aparecem como se fossem conjurados através de um feitiço. 





Na verdade, reza a lenda, são produtos de uma forte e condensada variante experimental de LSD. Nessa segunda parte, temos Red Miller, interpretado de maneira visceral por Nicolas Cage, em um verdadeiro banho de sangue, onde ele simplesmente abraça e mergulha no inferno. Destacamos também as armas com design criativo, além de um belo duelo de motoserras. Gostamos de um termo usado numa crítica lá fora, “um filme trash metal”, e de verdade parece que a capa de um disco ganhou vida aqui. É uma mistura de emoções, pois em meio aos momentos de risada que a história nos proporciona, temos a dor e o luto do personagem. Para quem assistiu Beyond the Black Rainbow (2010) ou o episódio "The Viewing" da série Guillermo del Toro's Cabinet of Curiosities (2022), reconhece visualmente que se trata de um trabalho de Panos Cosmatos. Por esses motivos, SUSPIRO E ARREPIO RECOMENDA!



Rotten Tomatoes: 🍅91% Tomatometer / 🍿67% Audience Score 
IMDb: 6,5

País: EUA, Reino Unido, Bélgica
Direção: Panos Cosmatos
Roteiro:  Panos Cosmatos, Aaron Stewart-Ahn
Produção: Daniel Noah, Josh C. Waller, Elijah Wood, Nate Bolotin, Adrian Politowski
Elenco: Nicolas Cage, Andrea Riseborough, Linus Roache, Ned Dennehy, Olwen Fouéré, Richard Brake, Bill Duke, Line Pillet
Distribuidora:  RLJE Films

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