Temos aqui um material fundamental a qualquer fã de quadrinhos, devido ao seu grande valor histórico. A importância se dá por ser um resgate de uma época que diz respeito à era de ouro das histórias em quadrinhos de terror. Em algum outro momento falaremos sobre o início desse movimento com as revistas da lendária editora EC Comics lá na década dos anos de 1940. Acontece que todo o conceito artístico da EC acabou influenciando o trabalho de outra editora que surgiu no final dos anos 1950, a Warren Publishing, fundada por James Warren, que lançou a revista Creepy em 1964.
Esse volume reúne as cinco primeiras edições da revista, que na época era lançada a cada quatro meses e posteriormente a cada dois. Predominam os roteiros do gigante Archie Goodwin que foi também editor-chefe da revista, sendo um dos grandes responsáveis pelo sucesso da mesma, sem falar no time de verdadeiras lendas da ilustração, como Wallace Wood, Alex Toth, Gray Morrow, Frank Frazetta, entre outros. Diferente das grandes editoras de super-heróis que mantinham uma relação profissional duvidosa com seus artistas, a Warren estimulava os seus profissionais, dando autonomia sobre seus trabalhos além de seus devidos créditos e boa remuneração. Era uma publicação um pouco mais cara, porém com um nível a mais na qualidade das ilustrações, mesmo sendo em preto e branco. Aliás, a Warren utilizou esse recurso sem cor em um tamanho padronizado e um pouco mais caro para se enquadrar no perfil de um magazine e não de uma revista em quadrinhos, evitando assim as restrições do Comics Code Authority , o órgão de autocensura da indústria de quadrinhos, responsável inclusive por extinguir a EC Comics. Alguns leitores modernos classificam os roteiros como inocentes, mas temos que levar em conta o contexto da época. Não dá para comparar com as histórias que apresentam enredos mais sofisticados como as de hoje em dia. Ainda assim, além de bom humor e tramas originais, chama a atenção certas abordagens a questões sociais como preconceito incitado pelo medo do diferente, visto por exemplo nas histórias de um robô, retratado como um monstro de Frankenstein moderno que acaba sendo caçado pela sociedade. Há também a questão da misoginia, presente em vários personagens de maridos que tramam contra suas esposas.
As histórias são curtas e apresentam uma característica adicional que foi criada pela EC Comics, que é o "Horror Host", o conceito de que uma voz apresente a narrativa, ou melhor dizendo, um personagem que introduz e finaliza a história. Esse modelo de personagem foi replicado em dezenas de revistas de diferentes editoras entre os anos 40 e 70. No caso aqui é o Tio Creepy. Não existe uma linearidade temporal, as narrativas se passam em diferentes eras da história, inclusive no futuro. Temos a exaltação de monstros dos mais variados, tipo lobisomem, vampiros, múmias, mortos-vivos, até situações onde um simples humano ganancioso é a maior ameaça, porém sempre temos a reviravolta e uma lição a ser aprendida, enfatizada pelo Tio Creepy. O quadrinho ainda reproduz as páginas de anúncios da época. Pensando num formato de tv, é como se fosse a mistura das séries Os Contos Da Cripta com Além Da Imaginação. Essa publicação tem um excelente trabalho editorial e foi lançado aqui no Brasil pela editora Devir a partir de 2012. Com o tempo vamos resenhando os outros volumes, assim como as histórias dos quadrinhos de terror dos EUA, para enfim, depois de um contexto, chegarmos nas editoras e revistas brasileiras dos anos 60, 70 e 80. Por esses motivos, SUSPIRO E ARREPIO RECOMENDA!
Editora: Devir Livraria; 1ª edição (2012)
Capa dura: 256 páginas
Dimensões: 27.2 x 19.8 x 1.8 cm








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