FILME - Possessor / Invasores De Mentes (2020)


Claramente aqui, o diretor Brandon Cronenberg segue um pouco os passos de seu pai David Cronenberg na intenção de causar aflição ao espectador. O filme já começa numa pegada mais tensa e violenta. Temos uma mulher ligando um dispositivo que conecta um fio bem em cima de sua cabeça. Ao girar um botão do aparelho, ele parece gerar algum tipo de frequência que causa mudanças em suas emoções. Terminado esse processo, ela se encontra com outras mulheres e juntas se dirigem a uma festa, e logo ao passar pela mesa do buffet, ela pega uma faca e sem pensar duas vezes ataca um homem que aparentemente era o anfitrião do evento. 


A cena é bem violenta, mostrando em detalhes os golpes e evidenciando um certo prazer da assassina, olhando fixamente para sua mão enquanto a esfrega na poça de sangue ao redor do corpo da vítima. A polícia chega logo após ela dizer “me tirem daqui”. Nesse momento vamos para outro lugar onde outra mulher ligada a um aparelho é acordada e então nos é revelado que ela é que controlava o corpo da assassina. Na verdade é uma organização que se utiliza desta tecnologia para infiltrar seus agentes temporariamente na mente de outras pessoas para que essas cometam assassinatos encomendados de gente poderosa. 


A nossa protagonista chamada Tas se mostra ser uma agente bem sucedida. Ao voltar de cada imersão dessas, ela é submetida a uma sessão com perguntas sobre si mesma para estabelecer se está tudo bem com sua mente e se não houve sequelas. Apesar de responder bem aos testes, no decorrer da história percebemos que todas essas transições na mente de outras pessoas foram transformando-a numa pessoa mais fria, praticamente sem sentimentos. Existe um limite pra isso, ou quanto maior o número de imersões, melhor será o desenvolvimento do agente? Afinal, menos sentimentos, menos riscos. 



 A trama tratará desse dilema ao mesmo tempo que um próximo trabalho a levará para dentro da mente de um homem cujo alvo é seu sogro, um poderoso dono de uma empresa de alta tecnologia. Fica claro também que aquele aparelho no início do filme que se conecta à cabeça, serve para calibrar o nível de domínio sobre a consciência da pessoa. Mas o que pode acontecer se esse controle se alternar e as consciências ficam transitando ao mesmo tempo? O filme apresenta pontuais momentos perturbadores, a fotografia é muito bem trabalhada e o diretor representa os diferentes sentimentos dos personagens através de cores. Algumas vezes as cenas têm cores saturadas, outrora se apresentam bem frias em tons pastéis ou com muito branco e cinza. Os atores estão bem em seus papéis e o filme tem um bom roteiro. Talvez ele tenha um momento um pouco mais lento, mas pensando depois, isso se fez necessário para um melhor desenvolvimento dos personagens. É uma boa mistura de ficção científica e terror. Por esses motivos, SUSPIRO E ARREPIO RECOMENDA!

País: Canadá, Reino Unido
Direção: Brandon Cronenberg
Roteiro: Brandon Cronenberg
Produção: Fraser Ash, Niv Fichman, Kevin Krikst, Andrew Starke
Elenco: Andrea Riseborough, Christopher Abbott, Jennifer Jason Leigh, Tuppence Middleton, Tiio Horn, Sean Bean, Gabrielle Graham, Hanneke Talbot, Rossif Sutherland, Gage Graham-Arbuthnot, Christopher Jacot, Raoul Bhaneja, Megan Vincent
Distribuidora: Elevation Pictures, Signature Entertainment









 

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